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Giselle Beiguelman - Público passa a ser atuante na produção de conteúdo mobile

16/11/2005

Para Giselle Beiguelman a mobilidade gerada pelas novas tecnologias traz a necessidade da revolução de conteúdo


Marcelo Godoy
Daniel Reis



No dia 16 de novembro o programa newTV conversou com a artista Giselle Beiguelman sobre a infinita possibilidade de uso das novas mídias, algo muito explorado pela entrevistada em seus trabalhos, conhecidos por buscarem a simbiose entre arte, público e artista.

Para Giselle, hoje, fala-se muito a respeito de uma revolução tecnológica, mas ainda não se percebeu que o necessário agora é se pensar numa revolução de conteúdo. “Quanto mais coisas interessantes forem feitas, mais complexo se tornará o uso das interfaces”, afirma a artista.

Beiguelman combate a idéia apocalíptica de que as novas tecnologias são excludentes. Na sua ótica a tecnologia amplia a possibilidade de participação do público e essa é uma tendência óbvia dos tempos atuais. E o que deve ser feito é explorar a “nova condição nômade”, experiência do mundo sem limites.

Uma autodidata, graças a essa característica, em 2004, ela ingressou no mundo virtual. Começou a mexer com computador em 94, depois fez parte da primeira equipe do portal Uol, onde permaneceu até 98, e em 2001 começou a trabalhar com celular. “Adoro internet. Mas acho que o conceito de rede não pode condicionar a pessoa a ficar presa a um lugar”, afirma Giselle.

Para argumentar sobre esse conceito parafraseia Aristóteles, dizendo que o homem é um ser político e complementa com a idéia de que nascemos para o espaço público e, por isso, precisamos de mobilidade.


newTV - Você estava me contando sobre a experiência de mandar SMS para o telões da cidade.


Giselle Beiguelman - Isso foi muito interessante. Esse é um projeto que só vinga em ambientes muito intrópicos como São Paulo com congestionamento, saturação. Ele aconteceu entre 2003 e 2004 e permitia a qualquer um enviar mensagem via celular à rede Eletromídia num determinado horário.

Eu aluguei um horário comercial na grade de programação e no meu horário entrava um torpedo ou uma mensagem de alguém localizado na cidade de são Paulo ou Pequin.... em vários lugares do mundo.

newTV - E o número para o envio de SMS, como você fez?

Beiguelman - Ainda eram 3 operadoras e os sistemas não se compatibilizavam de forma alguma. O último que eu fiz de poesia para painel, foi o ano passado, que era um projeto sobre mensagens de erro. Aí já deu para ter um número só, em 2003 não. Então foram acordos com cada uma das operadoras. Isso também foi pago, foi um projeto totalmente sem patrocínio. Eles acharam que não iria dar certo, mas teve um acesso absurdo.

O primeiro projeto que trabalhei com patrocínio foi o da Nokia, que eu venho trabalhando desde o ano passado. Incorporou -se a idéia de que uma vez que você usa o equipamento você já está divulgando.

newTV - Que foi o “Life goes mobile”.

Beiguelman - Eu fiz o primeiro “Life goes mobile”, fiz o segundo no Nokia Trends. Agora estou com outro projeto no File que é uma versão mais complexa, com ferramentas de Internet.

newTV - Você tem um projeto chamado egoscópio. O que é o egoscópio?

Beiguelman - O egoscópio somos nós. Começou como a tentativa de uma narrativa não linear construída globalmente. A proposta era criar uma personagem que só existia mediada pela mídia. O egoscópio se realizava pela Internet, pela televisão. Inclusive pela propaganda. Era questionar um pouco essa perda, qual era o espaço da arte, qual o espaço da propaganda. O egoscópio dizia atravessando esses 3 espaços simultaneamente.

Para participar do projeto eu enviava uma pergunta por dia e as pessoas enviavam sites correspondentes àquela pergunta. “O que o egoscópio come?” Então enviavam sites de conteúdo. Ninguém respondia às minhas perguntas, as pessoas foram criando uma personagem muito mais múltipla. Então ele era criança, mulher, comia, comprava casa e tudo isso era um site. É muito interessante perceber que esse foi um projeto que teve records brutais de audiência. Pelo ineditismo ele foi capa do caderno de arte e tecnologia do New York Times, foi uma avalanche de acessos (www. desvirtual.com/egoscopio).

newTV - Antes dela sair no New York Times, como você montou a rede?

Beiguelman - A rede se montou sozinha. A Internet é uma mídia que ela se propaga, é uma loucura isso. Eu criei o projeto e avancei, depois com a divulgação do projeto que passou por uma lista de discussão, sala de bate-papo e aí a coisa não tem mais volta.

A primeira versão do egoscópio foi via SMS, a segunda versão já deu para usar MMS. A saída do projeto era sempre em local público. Então você vÊ aqui sites comuns e as pessoas tinham um retorno por webcam em tempo real. A interface de acesso era muito simples, ela tinha sugestões, outro campo para as pessoas enviarem outro site e uma telinha com o retorno das webcams que ficam embaixo.

newTV - Existe uma definição para arte?

Beiguelman - No campo desse tipo de criação tolida por novos meios... acho que é o próprio questionamento da missão de arte. Hoje em dia a gente trabalha numa área tão inusitada e deshierarquiza o lugar do autor e o lugar do receptor, o lugar da arte que era muito particular. Mesmo a arte pública, ela era monumental. A arte que lida com as redes ela vive no questionamento de todos esses meios. Talvez a definição, seja uma indefinição.

Uma questão que sempre me fazem, é como a pessoa sabia que isso era uma inserção do egoscópio e não era uma propaganda comum. Mas a brincadeira está aí mesmo. Você jogar tão na fronteira que você perde a definição das particularidades e demanda o reconhecimento da interfaces e não dos meios.

newTV - Esse trabalho permite a inclusão digital.

Beiguelman - Com certeza. Participam inúmeras pessoas que jamais seriam mobilizadas a interagir com uma obra tradicional artística. Por esse tipo de trabalho não se apresentar como algo exterior a vida dele, ele acaba sendo um trabalho muito inclusivo. Muita gente que participava do “Poetrica” (
www.poetrica.net), por exemplo, participava por que o próprio painel eletrônico fazia a chamada para envio de torpedo para esse painel. Então, a pessoa enviava porque ela estava na rua e aquilo de alguma maneira parecia interessante. Foi um projeto não comercial, mas era incrível o retorno que as pessoas demonstravam.

newTV - Você já imaginou isso na televisão?

Beiguelman - Eu morro de vontade de fazer alguma coisa com televisão. Que televisão fosse um dos displays. O problema da televisão é o preço do espaço comercial na televisão. Um painel eletrônico é uma mídia barata, eu nem imagino quanto custam dez segundos na rede Globo em horário nobre. Mas eu gosto de todos os espaços que de alguma maneira criem essa confusão sobre que lugar específico que é o deles.

Hoje não existe mais essa noção de público como um público só consumidor. Ele sabe que pode fazer. Daí mais um elemento para a gente relativizar a crítica conservadora que continua insistindo que as novas tecnologias, são tecnologias de exclusão. Não são, são tecnologias de inclusão.
Quando teve o 11 de Setembro o papel do público foi super importante. Hoje ele é um público que pensa. Ele deve ocupar espaço. Nós estamos vivendo uma revolução. Falta nós incorporarmos essa revolução no nosso cotidiano.

newTV - E da onde está a origem disso para você?

Beiguelman - Tem duas origens. O sucesso dos mobile devices está relacionado àquilo que é demasiadamente humano. O Aristóteles dizia que o homem é um ser político. Ele queria dizer que era um homem da pólis, que era um homem da cidade. O homem nasceu para espaço público e não para ficar atrás de uma mesa olhando para uma tela. O celular é muito mais apelativo que um computador. Eles ainda não são tão bons como os computadores, mas vão ficar. A outra é o perfil da comunicação on line. A invenção da Internet é um divisor de águas na história da comunicação, é a transformação do público num participante.

O que a gente chama de interação hoje em dia, é muito mais que interação. É compartilhamento, é a possibilidade de ocupar os mesmos espaços e simultaneamente operacionalizar trocas de dados, de MP3 e besteira. Enfim não há separação.


Links

http://www.desvirtual.com/
htt
p://www.poetrica.net
http://www.desvirtual.com/sometimes/index.htm
http://www.desvirtual.com/nike/
http://www.desvirtual.com/egoscopio/english/about.htm


Fonte: Redação






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