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Cidade do Conhecimento busca emancipação digital

08/12/2005

Projeto caça talentos e transforma produção cultural em renda para comunidade


Marcelo Godoy
Daniel Reis


A comunicação está em toda parte e você nem precisa ligar a TV para isso, basta pegar um ônibus. Num país como o Brasil a miscigenação étnica somada à sua amplitude territorial, nos apresenta uma diversidade cultural vasta. Nosso país poderia ser encarado como um coletivo de nações, no qual o regional e o global se misturam.

O programa newTV conversou como o professor Gilson Schwartz sobre uma iniciativa da Universidade de São Paulo chamada de “Cidade do Conhecimento”, que tem o objetivo de explorar essa diversidade cultural do Brasil e o potencial de mercado e comunicação da telefonia móvel, um pólo midiático ainda pouco explorado.

O grupo escolhe uma comunidade com características culturais específicas e a partir daí ensina a população a produzir conteúdo, como wallpapers e ringtones. A primeira experiência aconteceu no Rio Grande do Norte, na Praia do Pipa, e o destaque ficou para os ringtones com o ritmo musical de origem afro chamado de Coco Zambê. A atividade ocorreu a partir de um telecentro instalado na região.

A Cidade do Conhecimento funcionará como uma ponte de ligação entre os produtores de conteúdo e as operadoras. Toda a renda captada será dirigia para as comunidades.

Schwartz afirma durante a entrevista que é importante não se ter uma visão unilateral a respeito da evolução tecnológica, ou seja, deve-se buscar a junção entre o vivencial e o virtual. ”Hoje vive-se uma realidade híbrida. Você vive com o celular e não no celular”, diz o professor.

Ele ressalta que pessoas que queiram contribuir com a doação de conteúdo próprio podem participar do projeto. Basta acessar ao site www.cidade.usp.br e entrar em contato. Além disso, no dia 15 de dezembro será realizado no Memorial da América Latina (SP), o 1º Encontro pela Emancipação Digital, uma oportunidade de conhecer o projeto e entrar em contato com a área de audiovisual.

-newTV-Vocês buscam a inclusão digital por meio da Cidade do Conhecimento?

- Gilson Schwartz - Inclusão digital no sentido de dar ao indivíduo acesso à rede. A gente quer mais, que esse indivíduo que acessou à rede encontre o seu caminho, ou seja, se emancipe para conseguir renda, emprego. Eles estão se capacitando, seja na gestão monetária, seja na questão de conteúdo. Até música, o pessoal lá do Coco de Zambê não tinha recurso nem para fazer as fantasias e os uniformes. Com isso abre-se um mercado para essa camada da sociedade.

-newTv- E é um grande resgate da nossa cultura.

- Schwartz - Realmente é cultura de raiz. Eu fui para Salvador agora, num seminário sobre a economia das indústrias criativas. As Nações Unidas junto com o Ministério da Cultura aqui do Brasil estão organizando um projeto para criar um centro internacional sobre as indústrias criativas. Bom, seminário rolando, nós fomos passear no Pelourinho, e eu já com essa idéia de caçar talentos para incluí-los nessa rede digital, vi um grupo de meninos batucando muito bem. Dia seguinte, foi festa de Santa Bárbara, a criançada batucando. E ontem eu fui falar com a “mãe da criançada”, ela é justamente a presidente da Associação dos Moradores do Pelourinho. Enfim, aqui vai sair ringtones do Pelourinho também.

A gente também está conversando com a FUNAI sobre os Xavantes e outras nações indígenas do Brasil. Eles têm um conteúdo extraordinário, atravessam dificuldade e têm um conteúdo cultural riquíssimo. Um outro projeto, inclusive a gente está fazendo com o ator Marcos Palmeira, lá em Mato Grosso do Sul, numa aldeia, nós já fizemos um ringtone com o canto Xavante.

-newTV – Vocês mostraram o ringtone para o
Lévi Strauss em Paris...

- Schwartz - É. Ele que descobriu esse interior, o sertão indígena brasileiro nos anos 30. Hoje é uma redescoberta usando a tecnologia.

-newTV – Quais são os instrumentos que nós temos hoje para democratizar um pouco mais o acesso à informação?

- Schwartz - O grande tema que é esse que estamos nesse estúdio inseridos, que é a TV digital. Realmente é uma oportunidade histórica única de se criar um sistema de televisão digital. O pessoal discute muito sobre qual vai ser a tecnologia, mas a questão é menos de tecnologia e mais de modelo de negócio. É aproveitar que essa tecnologia permite uma difusão de produção muito maior, pois de fato reduziu o custo.

Então, se eu posso ir ao Rio Grande do Norte, num projeto de universidade, instalar uma antena... O pessoal na praia da Pipa já está fazendo jornal toda a semana. Eu fui visitar com minha camerazinha digital, não teve jeito, fiquei tão entusiasmado, que deixei a minha câmera com eles. Toda semana tem um telejornal produzido pelos estudantes no telecentro.

-newTV- E exibido onde?

- Schwartz - Exibido na praça. Tem o cinema ao ar livre, pega um cd, leva para o computador, encaixa no projetor e vai para praça. Resultado, a comunidade já está produzindo seu próprio conteúdo.

-newTV – Que se tivesse um acesso banda larga poderia ser feito pela web.

- Schwartz - A gente sabe que o Brasil tem R$ 4 bi no
FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), não se mexe nesse recurso. O que nós estamos provando na prática, é que as comunidades têm condição de se apropriar dessa tecnologia e produzir cada vez mais. De fato, para que isso ganhe uma escala, precisa de muito investimento em educação, em infra-estrutura, a regulação precisa se abrir para incorporar esse segmento da população e permitir que as micro, pequenas e médias empresas ocupem o espaço da mídia nacional.

-newTV – No nosso caso aqui a gente está produzindo ao vivo quase 16 horas de programação, com total liberdade de conteúdo. Se a gente analisar o custo de investimento não é muito alto. E qual sua opinião sobre o papel do celular na inclusão digital?

- Schwartz - Eu estou cada vez mais entusiasmado com a mídia celular, tanto é que a gente está vendo aí o primeiro resultado concreto. Agora, esse é um território, no qual o conflito de interesses já é bem pesado. O celular é controlado por empresas multinacionais, já o sistema de
radiodifusão está sob uma legislação que impede o controle por empresas estrangeiras.

Então, nós estamos vivendo uma esquizofrenia regulatória total. De um lado você tem uma lei que proíbe o controle de capital de empresas de mídia por grupos estrangeiros; por outro lado você tem uma mídia que ganha cada vez mais espaço, em cuja a telinha dá para fazer televisão e que não está submetida a mesma legislação. Falta uma modernização nessa legislação, é decidir para que lado vai e abrir possibilidades para quem não entrou.

-newTV – Os ringtones do projeto estão em qual formato?

- Schwartz -
Nós estamos produzindo em 3 formatos. A produção original foi captar a própria performance do mestre Geraldo, que tem um grupo de Coco de Zambê, a partir daí trouxemos esse material para São Paulo e a etapa de finalização foi feita na USP. Nessa finalização saiu o ringtone polyphonic e saiu o MIDI. Então, você tem um formato tipo MP3, se ouve exatamente o que o mestre tocou e a turma cantou em volta. E tem um versão MIDI que foi preparada pelo Itamar Vidal, um músico excelente aqui de São Paulo.

-newTV – Vamos pensar agora numa questão educativa e interativa. Você acredita que mais para frente seja possível dar, por exemplo, uma aula pelo celular?

- Schwartz -
Vamos pegar o exemplo do que está acontecendo no mercado de publicidade, que é quem está na ponta da utilização das mídias. Qual a expressão da hora no mercado de publicidade, na vanguarda de quem está criando conteúdo digital? É o que o pessoal chama de cross media, quer dizer você cruza várias mídias. Saiu o Harry Potter, Guerra nas Estrelas, imediatamente você tem revista na banca, DVD na locadora, camiseta, joguinho, conteúdo no celular, conteúdo na Internet, MP3. Não pára mais. É um conjunto de mídias que se articula envolta daquele conteúdo.

A gente deveria seguir essa orientação e pensar na educação em plataforma cross media, quer dizer, você não vai fazer toda a educação dentro do celular, você vai ter apostilas, conversas com o professor. É uma realidade híbrida. A gente vive com o celular, a gente não vive no celular. A gente convive com Internet, a gente não coloca tudo na Internet. O segredo é a combinação daquilo que é vivencial e outras formas de experiências, que são digitais ou virtuais.

Liks

www.cidade.usp.br
www.cidadedoconhecimento.campusvirtual.br
www.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/g_schwartz 
www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=69384


 

 






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