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Celular sob um olhar de mestre

13/01/2006

Para entrevistado a tecnologia móvel mudou a forma de se pensar e fazer comunicação


Marcelo Godoy
Daniel Reis


O primeiro newTV de 2006 recebeu um convidado especial, o jornalista Paulo Henrique Ferreira ou PH, 27 anos, que participou da primeira edição do programa há 4 meses. O entrevistado é diretor de comunicação estratégica da empresa Accenda, uma organização especialista na criação de posicionamentos estratégicos exclusivos para empresas brasileiras de Tecnologia da Informação.

A entrevista começa pela explicação dos objetivos e projetos da Accenda, e logo se transforma num debate sobre a evolução da forma de se perceber, pensar, produzir, distribuir a comunicação com a influência da telefonia móvel e seus aparatos.

“O celular sem dúvida vai ser um meio muito explorado pelas emissoras de TV, de rádio, pelas revistas e jornais que já estão, há 2 e 3 anos, envolvidos nesse mercado e com bastantes usuários recebendo informações”, diz Ferreira.

A entrevista como Paulo Henrique apresenta um embasamento teórico aprofundado por sua pesquisa acadêmica. Ele defendeu sua tese de mestrado em 2004, intitulada Notícias no celular: uma introdução ao tema é tida como o primeiro estudo acadêmico a respeito do tema.

Em síntese a entrevista direciona seu foco não apenas a uma reflexão factual, mas a sua leitura traz uma ótica de vanguarda. A um prazo um pouco maior, porém não tão longo. Pois esse mercado é dinâmico.

Um exemplo é desenvolvimento mundial da TV digital e a conquista nacional da interoperabilidade em MMS, alcançada apenas em 2005, que abre um novo campo de estudo e de oportunidade, o das mensagens multimídia.

"As grandes corporações passam por metamorfoses. As operadoras estão se mexendo constantemente e elas vão de alguma forma tomando a conta dessa mudança”, afirma Ferreira.



newTV – Fiz questão que você retornasse ao programa para a gente falar sobre a sua nova atividade profissional que é a Accenda, para falar sobre a empresa. É uma empresa que tem um futuro brilhante. São 4 jovens que se juntaram, nenhum tem mais de 30 anos, e já estão conquistando o mercado na área de mobilidade e telecom. Conta para gente o que vocês estão fazendo.

Paulo Henrique -
A Accenda foi fundada em julho de 2005. Fundada justamente para atender a demanda do mercado de tecnologia, de mobilidade ou empresas de tecnologia em geral de software, há demanda por uma empresa de inteligência de mercado, de posicionamento. Ou seja, a gente desenvolve estratégias de mercado, estratégias de negócios para essas empresas, onde utilizamos diversas ferramentas como estratégias de comunicação, articulação com a imprensa., desenvolvimento de modelos de negócio, de canais de vendas e de parcerias.

É aquele trabalho que as empresas nacionais ou que atuam no Brasil têm dificuldade de estarem envolvidas no dia-a-dia dela. Uma empresa de software está envolvida com o dia-a-dia dela, só que não tem condições de desenvolver trabalho para melhorar a performance comercial dela. Então a Accenda entra justamente nessa demanda do mercado, porque a gente acredita que o mercado Brasileiro é muito bem localizado.

Em software o Brasil é líder, tem características gigantescas, 85 milhões de celulares, quase 20milhões de usuários de Internet e de PCs. Empresas que são informatizadas, verticais de corporativa, como por exemplo bancos. A gente acredita que o Brasil vai ser líder mundial, vai oferecer ao mundo softwares com suas próprias características, características brasileiras. Diferente do posicionamento de uma empresa na Índia, que desenvolve códigos. Tem a programação e a parte de inteligência está em outro país. No Brasil a parte de desenvolvimento técnico está aqui e de inteligência está aqui também. A Accenda é uma prova disso.

newTV – Qual o posicionamento do governo nisso?

PH -
É bem favorável. O governo elegeu a indústria de software como uma das 5 áreas prioritárias para investimento, imagino que hoje já é bastante. Independente do futuro político do país essa prioridade continuará, porque já foram implantados programas de governo, como por exemplo a “Cidade do Conhecimento” , que tem um futuro incontestável. O legado que o país construiu independente do partido já está consolidado.

newTV- A “Cidade do Conhecimento” é um projeto fantástico da USP (Universidade São Paulo) coordenado pelo Gilson Schwarts e, que através da consultoria da Accenda, realiza na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, uma coisa fantástica, ensina jovens carentes a produzirem conteúdo para serem vendidos no celular, isso no Brasil e no exterior. Com a renda gerada pela venda desse conteúdo é revertido para a própria comunidade.

PH -
A Praia da Pipa é uma aldeia de pescadores com muitas belezas naturais, que todos sabem como é o Nordeste do Brasil, que começou a receber turistas do mundo todo. Virou inclusive referência mundial em turismo. Isso causou um crescimento até que nocivo para aquela vila, não tinha a infra-estrutura necessária para aquela explosão que aconteceu.

Gerou desigualdade social, turismo sexual e aí a USP identificou Pipa como um projeto piloto, onde eles implantaram um telecentro, que é gerenciado pelos próprios jovens e pela própria comunidade. A gente conseguiu identificar a riqueza cultural de Pipa, como música, artistas locais e os próprios monitores que fazem arte também. Por que não colocar isso no celular? Então a “Cidade do Conhecimento” chamou a Accenda para desenvolver uma estratégia de colocar “wallpapers” e “ringtones” da Praia de Pipa. Por exemplo ringtones, tem lá na Praia do Pipa um gruo de Coco de Zambê, que um grupo secular e estava se perdendo. Hoje a Gente trouxe o Coco de Zambê de volta para a mídia por causa dos “ringtones”.

newTV – Foi uma forma bárbara de distribuir conhecimento nacional e gerar riquezas para essas comunidades carentes.

PH -
Parte dessa receita vai para a comunidade e você ao mesmo tempo protege patrimônio, porque você divulga. Divulga o Coco de Zambê lá da Praia da Pipa, que foi uma das raízes do Chico Science. Você gera riqueza e exporta o lado bom de uma praia como Pipa. A gente já está negociando para levar esse “ringtone” para a Europa, a gente quer que as pessoas olhem para Pipa com um olhar cultural e artístico. Trazer bons turistas, que vão investir na cultura Brasileira.

newTV – Hoje estão disponíveis em quais operadoras?

PH -
Quem estiver assistindo entra em www.cidade.usp.br/pipamovel. Estamos na Oi, Telemig Celular, Amazônia Celular, CTBC, Sercomtel e Vivo. Ou seja, estamos em boa parte das operadoras.

newTV – E esse é o trabalho da Accenda, fazer essa engrenagem funcionar?

PH -
A gente desenvolveu todo o modelo, toda a cadeia de valores desse projeto, foi lá na comunidade, explicou como funciona...

newTV – Imagina isso em outras regiões ricas culturalmente como o Amazonas e a própria Bahia. O Gilson comentou que tem no Pelourinho uma ação.

PH -
O Gilson até brinca, assim como quando você pensa em petróleo você pensa em Iraque e Oriente Médio, quando você pensa em cultura e diversificação cultural é Brasil. Então, você tem a possibilidade da Bahia, comunidades indígenas. A gente está bastante animado com esse projeto e ele já está dando retorno para a sociedade como um todo. O governo já sinalizou para a “Cidade do Conhecimento” expandir isso para outras áreas.

newTV – O que o atraiu para esse universo mobile? Quando você começou a trabalhar nessa área?

PH -
No último ano de faculdade já comecei a trabalhar na Compera, que na época chamava Intraweb, e naquela época ela estava começando a se focar em celular e conteúdo. Ela lançou o primeiro site de notícias via SMS, por celular. E eu fui editor dessa primeira iniciativa pioneira da Compera no Brasil.

Desde 2.000 a Compera investiu não só em produtos e softwares, mas no mercado de celular. Vamos dizer assim que a parte desse mercado, exclusiva de celular, a Compera foi pioneira.

newTV- O mestrado do Paulo é o primeiro que fala sobre notícias para celular. Comenta um pouco sobre ele.

PH -
Essa dissertação eu comecei em 2003, quando eu já tinha uma experiência nesse mercado de mobilidade e eu identifiquei que já havia um mercado de SMS, começando um mercado de mensagens multimídia, Wap. As empresas jornalísticas estavam envolvidas. Quem estava envolvida na época? A “Abril sem Fio”, que é a divisão de celular da Editora Abril, a TV Globo, a revista Trip, entre outros.

Havia uma série de empresas de conteúdo já interessadas em saber. A partir daí surgiu essa idéia. De entrevistar essas pessoas para saber o que eles estão vendo, quais são as oportunidades no celular, o que o celular vai mudar na mídia que existe hoje. Hoje nós temos consolidado televisão, rádio, jornal impresso, revistas e Internet. Agora, estamos adicionando mais um meio que é o celular. O celular sem dúvida vai ser um meio muito explorado pelas emissoras de TV, de rádio, pelas revistas e jornais que já estão, há 2 e 3 anos, envolvida nesse mercado e com bastantes usuários recebendo informações.

newTV – Eu pesquei dentro do projeto do Paulo uma frase que é: “mídias estão em um recém estágio de desenvolvimento e ainda dependem dos formatos derivados de tecnologias anteriores, ao invés de explorar seus próprios poderes expressivos”. O que quer dizer isso?

PH -
Essa é um citação da Janet Murray, que eu usei no meu trabalho de uma forma bem centra. Quando você tem uma nova tecnologia ninguém compreende. Afinal, o que é essa nova tecnologia tem por fazer. Uma das tecnologias que eu usei como exemplo no mestrado foi o telégrafo.

Quando Samuel Morse inventou o conceito de mandar uma mensagem daqui e sair do outro lado através de fios e impulsos elétricos. Todo mundo falou : “legal, e aí?”. No começo ele era usado para jogar xadrez, eles não viam sentido. Aí, quando começou a conectar uma mensagem na outra, um país no outro, uma cidade na outra, virou a maior rede de comunicação no início do século 20. O que inclusive deu origem ao rádio, à TV e à Internet.

Então, com o celular é a mesma coisa. Quando você tem um celular na mão, que a priori é um telefone, mas começa a vir SMS, mensagens multimídia, sons, “ringtones”, as pessoas falam: “Para que serve isso?”. Há pessoas e empresas que não percebem que isso é o início de uma gama de conteúdo e um dispositivo móvel, que vai transformar as relações sociais, que vai transformar as relações comerciais das empresas e as relações de comunicação.

Você saí de uma mídia de massa que é a TV, para uma mídia pessoal. Hoje talvez não se veja isso, mas mais vai impactar. Daqui a 10 anos o cenário das mídias vai ser isso, vai ser conteúdo por demanda, vai ser conteúdo personalizado. Serão outras regras e o celular só está começando a dar umas dicas, de quais são essas regras.

newTV – Na verdade, as pessoas estão com celular no bolso, estão usando, mas ainda não entenderam as possibilidades.

PH -
Não são nem as pessoas, são as próprias empresas.

newTV – Se você tivesse 1 milhão de dólares para investir, no que você investiria?

PH -
Investiria em celular com alguma coisa a ver com TV digital. Para que no futuro fosse uma convergência e você tivesse um aparelho que captasse bits, bytes em tempo real na programação que você quisesse. Você compraria a programação que você quisesse.

newTV – TV digital no celular.

PH -
TV digital para celular, mas não esse celular que conhecemos hoje, que tem alguns conteúdos disponíveis em algumas operadoras. Seria uma conexão mais ampla.

Hoje as empresas de conteúdo assumem uma posição menos empresa de conteúdo que é dona do canal de divulgação. Elas vão focar mais no canal de conteúdo. A HBO faz isso, ela só produz. Outras redes passam, compram o conteúdo. O próprio usuário vai poder comprar aquele conteúdo da HBO, sem ser assinante. A TV digital vai evoluir para isso.

newTV- Como essa TV vai funcionar sem ter um oligopólio? Por exemplo, a Globo produz e distribui, e só passa no canal dela.

PH -
Isso a gente vê que aconteceu no passado. Marconi quando lançou o rádio, a rede inteira chamava telégrafo sem fio. Quer dizer, a tecnologia ainda não se apropriou das suas potencialidades. Ela é baseada na anterior. Era um monopólio da Marconi, quando esse monopólio foi quebrado começou a pipocar ABC, NBC. Um novo formato que deu origem à TV.

newTV – E como você enxerga a questão do celular, das operadoras e do software livre?

PH -
É uma situação que ainda vai ter muita história. Software livre ainda não é o principal problema. As operadoras vão enfrentar protocólos de conexão sem fio. O que é isso? Possibilidade da pessoa ter um celular e não falar via antena da operadora, falar via winecks, que são as antes metropolitanas de conexão. Isso tem a ver com skipe. O celular já é um computador por que você não pode falar no celular via skype, por um Wi-Fi ou Wi-Mec. Mas temos problemas políticos.

newTV – Falamos de um mundo ideal. Seria esse, da pessoa poder produzir, distribuir o seu próprio conteúdo.

PH -
As grandes corporações passam por metamorfoses. As operadoras estão se mexendo constantemente e elas vão de alguma forma tomando a conta dessa mudança.

newTV – No seu mestrado você fala muito dos grupos de mídia, começando a distribuir conteúdo para celular, que é o final de 2004. O que mudou do final do seu mestrado até hoje?

PH -
O que mudou foi a TV no celular. Hoje, eu sou assinante de uma operadora que distribui os gols da rodada da Globo. Então, por R$1,00 você compra um gol do São Paulo Futebol Clube. Ou então, foi uma questão que eu não peguei muito, pois até 2004 não tinha interoperabilidade, foi MMS. Hoje eu mando uma foto para a minha namorada lá em Rondônia. Então, a proximidade e a possibilidade de imagens em tempo real mudou bastante do meu trabalho que era mais focado em SMS e Wap. Que era uma coisa mais 1.0.

Links
www.cidade.usp.br/pipamovel
www.accenda.com.br
www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/julho2005/clipping050730_correiopop.html


 






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