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NewTV: celular faz jornalismo

20/01/2006

Grupo O Estado de São Paulo pega carona na febre mundial do MMS e se torna pioneiro no Brasil a utilizar o aplicativo como ferramenta interativa


Marcelo Godoy
Daniel Reis

Olhos atentos e um celular na mão. Hoje, é isso que se precisa para ter um momento como fotojornalista. Esse é o objetivo e o resultado de uma iniciativa pioneira no Brasil idealizada pelo grupo O Estado de São Paulo e nomeada de Foto Repórter. A idéia do  projeto foi levada ao jornal em abril de 2005, mas tomou corpo no dia 30 de outubro do mesmo ano. Enquanto dava seus primeiros passos as fotos podiam ser enviadas apenas via e-mail, o endereço ainda está ativo é fr@estado.com.br. Porém, com as adaptações tecnológicas necessárias, atualmente os repórteres fotográficos de plantão podem usar o número 47900 para mandar sua mensagem multimídia ou MMS (a foto).

O sub-editor de fotografia do Estadão e coordenador do projeto, Juca Varella, conversou com o programa newTV, exibido as quartas-feiras pela allTV, sobre essa nova forma de fazer jornalismo. De acordo com o entrevistado há pessoas que saem para dar flagrante.“Antes era muito comum a frase: ‘o fotográfo estava no lugar certo e na hora certa'. Mas ele tinha que ser fotógrafo. Hoje não. Basta a pessoa estar no lugar certo e na hora certa e ter algum tipo de câmera ”, diz Varella.

O Foto Repórter também abrange países como: Portugal, Itália, Polônia, Egito, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Espanha e Suíça. Até o momento da entrevista havia 4.136 foto repórteres e cerca de 6.000 fotos em arquivo. O nome atribuído pela equipe do projeto às pessoas que tiram as fotos é “Foto Cidadãos”, pois eles funcionam como agentes de vigilância focados em assuntos que a grande mídia, na maioria das vezes, não consegue enxergar.

Esta foi a forma encontrada pelo grupo O Estado de São Paulo de buscar a interação entre o jornal e o leitor, fazendo com que, de alguma maneira, o receptor da informação possa participar de sua construção. Quem elaborou a sistemática desse serviço de MMS Integrado foi a empresa Okto, especialista em telecomunicações.


Marcelo Godoy – O que é o Foto Repórter?

Varella -
Já existe em outras partes do mundo e com outros nomes. O ano passado mais ou menos em abril essa idéia veio para o Jornal, chamaram uma comissão multidisciplinar, tinha desde de departamento jurídico, fotografia, redação. Tudo para tentar formatar essa idéia que já acontece no mundo todo.

Ainda estava muito forte na cabeça da gente os atentados que aconteceram em Londres o ano passados em que as fotos dos usuários do metrô circularam nas primeiras páginas dos jornais do mundo. Desde o New York Times até jornais menores. Daí a gente formatou esse serviço de interatividade. Quer dizer, vamos chamar os leitores para participar. A gente sabe que existe um exército muito grande de portadores de celular com câmeras e esses caras conseguem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É impossível qualquer empresa jornalística ter essa gama de cobertura. O que a gente fez foi perceber esse potencial que estava represado e a gente abriu um canal.

No começo a gente só recebia as fotos por e-mail, agora a gente recebe foto por celular pelo número 49700. O participante faz a foto e manda para gente. Tem que se cadastrar, entrando no site http://www.estadao.com.br/fotoreporter.

Godoy  – Tem uma equipe que cuida da escolha das fotos. Como funciona?

Varella –
Tem uma página desenvolvida pela Okto - antiga Tiaxia do Brasil -, ela disponibiliza para gente todo o material que está entrando. Todas as fotos são apresentadas numa tela de edição com os respectivos textos, informações. Então, essa equipe faz a triagem e coloca a disposição das editorias dentro do jornal. Elas são aproveitadas ou no portal, ou no jornal O Estado de São Paulo ou no Jornal da Tarde (JT). Sendo que nesses dois últimos, quando publicado existe uma remuneração.

Tem gente que abraçou de uma tal forma o Foto Repórter que começou ir para a rua para tirar foto. Temos aposentados, em Brasília temos vários. Choveu o cara vai para rua, pois vai ter árvore caída.

Godoy - Como você enxerga esse poder que as pessoas têm acesso?

Varella –
O Foto Repórter é um canal para isso. É uma maneira do cidadão denunciar um buraco numa rua que nenhuma TV ou jornal vai lá verificar. Por exemplo, um cara que costuma estacionar o seu caminhão toda hora do rush naquela esquina. E por aí a fora.

Teve um foto repórter no Rio de Janeiro que fotografou uma praça que estava completamente abandonada e ainda restava uma plaquinha dizendo: “A empresa tal cuida dessa praça”. Ele fez a foto, publicou e no outro dia seguinte a empresa tirou a placa. Não sei se mudou, mas mexeu com algum setor que até então estava inerte.

Godoy – A pessoa ainda pode ganhar um tutuzinho, não é?

Varella –
Pode. Se publicar no Estadão ou no JT sim.

Godoy– Explica uma coisa, o texto da legenda quem faz?

Varella-
Gente da nossa equipe com as informações que o foto repórter fornece. Quando a foto vai ser publicada no jornal, quase sempre uma ligação a gente faz. Para checar e afinar as informações da legenda. Muitas vezes o foto repórter já está bem afinado com o projeto e já manda uma legenda enxuta e cheia de informação.

Godoy– Tecnicamente como essa foto deve ser? Um mínimo.

Varella
Não tem um mínimo, não. Fotos feitas por celulares, às vezes até um pouco antigas que têm uma resolução pequena, o que vai acontecer é que se for para o jornal não vai ser publicado em mais do que duas colunas. Mas a gente com o projeto privilegia mais o conteúdo que a qualidade de resolução. Então, uma foto feita com celular é perfeitamente publicável.

Godoy – Lá fora existem algumas iniciativas que são bem malucas. Tem uma chamada Spy Media, que trabalha com a questão da invasão de privacidade. Isso deve ter um limite?

Varella –
Tem sim. Não é a nossa proposta. Mas eu acho que isso depende do segmento. Eu não vou dizer que é válido ou não. Tem público para isso e tem quem produz isso. O nosso caso é conteúdo jornalístico mesmo e cotidiano. Hard news.

Godoy – Como foi a resposta do público?

Varella –
Foi muito boa. No segundo dia foram enviadas mais de 300 fotos. Só que ainda o foto repórter não conhecia a cara do projeto. Nós recebíamos muitas fotos assim... tinha uma que era muito engraçada, era uma menina linda, bem vestidinha no berço e com o texto: “Não sei se vai servir para vocês, mas que é linda, é”. Outro que mandou foto de abelha, de cachorro brincando com bola. Fotos legais, mas que não faziam parte do nosso escopo. 

Godoy – Mas que faz parte desse novo jeito de ser das pessoas. De ter fotolog, de compartilhar.

Varella –
Sim. Se quiser mandar serão bem-vindas, só que se não tiver valor jornalístico não será publicada. E rapidamente o foto repórter percebeu isso. Até as pessoas que mandavam fotos do cachorrinho, do sítio e do fim de semana na praia começaram a ter outra abordagem dentro desses mesmos cenários. O cara quando ia para o sítio dele começou a fotografar uma cena inusitada, por exemplo, um animal. Ou na praia, ele não fazia mais o filho jogando bola, mas o trânsito na estrada. E começamos a publicar.

Godoy – Você acha que a foto digital vai substituir a convencional?

Varella –
Em alguns segmentos já substituiu, mas não vai acabar. É como o cinema, ele era informação, era cultura, era entretenimento. Com a chegada da televisão quase foi decretado o seu fim. Mas o cinema ocupou o lugar dele. A fotografia com filme e mesmo a preto e branco ocuparão sempre um lugar.

Godoy– Vocês já receberam alguma foto que precisou ser censurada?

Varella– Pornografia, quase nada. A gente imaginou que fosse chover, mas não aconteceu por conta de um cadastro. Tem muita foto de acidente, aquela violência gratuita não dá.

Outra coisa, as pessoas que querem utilizar o Foto repórter para promover o seu político predileto. Chegou um tempo atrás a foto de um prefeito inaugurando um posto de saúde e o foto repórter dizia assim: “Veja a simplicidade desse homem”. Então, lá não é um espaço para isso.

Agora, nós temos foto repórter dentro do congresso, em Brasília. Teve gente que fotografou o José Dirceu no dia em que ele foi caçado. É factual, aquilo foi notícia.

Godoy– Nesse caso do Foto Repórter vocês são agregadores de notícias, ou seja, as pessoas são co-participes do jornal de alguma forma.

Varella- Inclusive de onde veio essa idéia, da Ásia, existem jornais que são inteiramente feitos com a participação dos próprios leitores. Os leitores fazem o jornal. O que existe é uma equipe de editores e técnicos que montam o jornal, mas ele é produzido pelos próprios consumidores desse jornal. E aqui no Brasil isso é pioneiro. Não existe no jornalismo impresso um canal de duas mãos com o leitor. Não precisa ser leitor do Estadão ou assinante para participar do Foto Repórter, qualquer pessoa interessada é só entrar no site se cadastrar e começar a trabalhar com a gente.

Godoy – No fundo o conceito é como o do voto distrital, ou seja, você participa e acompanha o que acontece na sua comunidade. Você não é passivo.

Varella –
Exatamente. Você atua no seu meio social também. Enquanto você exerce a sua cidadania naquele meio, brigando contra uma poda ilegal de árvore ou pelo bueiro que está entupido por muito tempo. Você está entrando no contexto do seu local de trabalho, do local onde você mora. Você está exercitando sua cidadania, reivindicando. Esse é um canal para você se expressar.

Godoy – Vocês estão divulgando isso nas faculdades, como acontece esse trabalho de divulgação?

Varella –
Na verdade não. Isso não foi nem necessário. Houve um trabalho de marketing com uma divulgação em revistas e nos meios que o próprio Estado tem. 

Godoy – Que conselho você dá para quem está começando e quer virar jornalista, repórter?

Varella –
A pessoa tem procurar se integrar a esse momento. Se interar com as possibilidades que a Internet e todos esse novos meios oferecem. Se inserir. Essa mudança está ocorrendo de uma forma muito rápida. A pessoa deve estar sempre ligada e tentar de alguma forma acompanhar isso. No caso específico do Foto repórter. Acho que a primeira coisa é entrar no site e participar. Se você não tem um telefone celular com câmera, você deve ter uma câmera digital.

Godoy – E se tiver uma câmera antiga é só escanear.

Varella –
A gente já recebeu foto escaneada.

Links

http://www.estadao.com.br/fotoreporter/
http://www.spymedia.com/
http://www.celljournalist.com/
http://www.newtv.com.br/







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